domingo, 27 de outubro de 2013

Olá, bom dia!

Hoje é dia de estudar sobre a Assessoria e Consultoria em Serviço Social. Tema bastante interessante que visa produzir conhecimento e criar estratégias de atuação do Assistente Social  no campo da Assessoria e consultoria em meio ao setor público e privado.

O livro Assessoria, Consultoria & Serviço Social  irá dá uma "mãozinha" na pesquisa.









Assessoria, Consultoria & Serviço Social de Maria Inês Souza Bravo e Maurilio Castro de Matos.





Bons estudos!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Apenas Reflita!





 O MST E A REFORMA AGRÁRIA

No final das décadas de 1960 e 1970, foi retomada a luta pelos direitos da terra, chegando à efetiva emergência o âmbito da questão agrária. Em meio ao processo de desenvolvimento da agricultura brasileira, uma parcela da população em precárias condições no campo enfrentava a expropriação e a proletarização. Não eram boas as condições de vida do trabalhador urbano, mesmo assim, o fluxo migratório para a cidade era intenso, mais indicava que uma parcela da população rural ainda, obrigava-se a permanecer no campo. Os trabalhadores rurais resistiram em meio à miséria e preferiram retomar a luta pela terra.
Ainda que a vida no campo fosse um problema, sugiram condições políticas e ideológicas para mobilização da classe. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) surge no início do governo de Sarney, em de 1985, com um debate extremamente modificador para o modo de produção, modificando totalmente a estrutura da terra.
O MST destaca-se como grande movimento da América latina que desencadeou novas formas de luta pelos direitos sociais na década de 1980, entretanto, nos anos 90 ganhou força e, sobretudo adotou um caráter nacional com raízes políticas neoliberais de maior ação de luta pela terra e pela reforma agrária.
Em um período anterior a ditadura militar, a proposta lançada pelo governo, de reforma agrária, desenvolvia o livre capitalismo na agropecuária e a concentração de fundiárias por parte de grandes conglomerados empresariais. Historicamente, a questão agrária no Brasil pode ser definida como um processo com características política, econômica e social. 
 
Segundo Prado Junior:

Os grandes proprietários e fazendeiros são antes de tudo homens de negócio para quem a utilização de terra constitui um negócio como outro qualquer (...). Já para os trabalhadores rurais, para a massa camponesa de proprietários ou não, a terra e as atividades que nela se exercem constituem a única fonte de subsistência para eles acessível (PRADO JÚNIOR, 2000, p.22).

A distribuição do espaço rural é descentralizada, onde os fazendeiros donos de grandes propriedades ocupam as terras mais favoráveis e a maior parcela de trabalhadores rurais não conseguem ter acesso.Lembramos ainda, que não só no meio rural, mais em toda esfera capitalista, o trabalho passa a ser tratado como mercadoria, onde o trabalhador, para sua sobrevivência, apenas vende a força à minoria já privilegiada, acontecendo um processo de exclusão da maioria.
Na opinião de Marx:

“A mercadoria é misteriosa simplesmente por encobrir as características sociais do próprio trabalho dos homens, apresentando - as como características materiais e propriedades inerentes aos produtos do trabalho” (MARX, 2002, p. 94).

Portanto, o trabalhador sem-terra, conduzido pelas contradições do sistema capitalista, desde muito tempo, é explorado e subordinado ao trabalho pesado, com sua força tratada como mercadoria de troca, igual a um produto com baixo preço. Segundo Marx “A riqueza das sociedades onde rege a produção capitalista configura-se em imensa acumulação de mercadorias, e a mercadoria, isoladamente considerada, é a forma elementar dessa riqueza”. (MARX, 2001, p. 57).
A concentração de terras em mãos de poucos proprietários é um fato denominador das lutas, as quais são necessárias para a ampliação da democracia no país. A trajetória do MST tem sua importância no processo histórico destacando-se na ordem política vigente e com características da democracia liberal para direitos sociais constituídos ou a se constituírem no cenário brasileiro.
Em outras palavras, (Carter, 2000), descreve que “o ativismo público do MST envolve uma forma organizada, politizada, visível, autônoma, periódica e não violenta de conflito social.” Configura-se então, uma forma de organização, onde os interesses estão em torno da reforma agrária,da desapropriação de grandes áreas latifundiárias em posse das multinacionais e de todos aqueles que estiverem improdutivos, reivindicam também a transformações nos direitos dos trabalhadores rurais.
As ações do MST constituem-se em novas formas de organização e identidade das lutas, onde podemos observar que “passaram a ser discutidos os direitos dos trabalhadores no meio rural, configurando-se um complexo campo de disputas onde estava em jogo a constituição de novas configurações sociais e identidades políticas, e a própria definição do que era trabalhador rural,” destaca (Medeiros,2010).

 


REFERÊNCIAS 


Combatendo a desigualdade social: o MST e a reforma agrária no Brasil/Miguel Carter (org.); [tradução de Cristina Yamagami]. – São Paulo: Editora UNESP, 2010. 

MARX, K. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Abril Cultural, 1974 (Coleção Os pensadores).

____.O capital–crítica da economia política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,2002.

MEDEIROS, L. S. História dos movimentos sociais no campo. Rio de Janeiro: FASE, 1989.

MEDEIROS, L. Servolo de. Reforma Agrária: concepções, controvérsias e questões. Disponível em: http://www. Daterra.org.com.br.Acesso em 12 de janeiro de 2002.

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA. MST: Lutas e conquistas. – 2ª edição. – São Paulo: MST, 2010.

MEDEIROS, Leonilde Sérvolo. Movimentos Sociais no campo, lutas por direitos e reforma agrária na segunda metade do século XX. In:CARTER, Miguel (org.). Combatendo a desigualdade social: o MST e a reforma agrária no Brasil. Tradução de Cristina Yamagami. São Paulo: Editora UNESP, 2010. 

PRADO JÚNIOR, Caio. A questão agrária no Brasil. São Paulo: Brasiliense,
2000.





segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O difícil acesso à terra





http://rogeografo.files.wordpress.com/2008/05/s_salgado.jpg

       Tudo pronto para a nova morada. As famílias transportadas em caminhões lotados chegam em uma determinada área para se estabelecerem. O momento é de muita expectativa, pois a qualquer momento pode acontecer uma visita inesperada do verdadeiro proprietário das terras invadidas.
        O que ficou para traz, talvez tenha sido uma vida sem rumo, sem passado e sem futuro. Agora um momento presente que vale a pena arriscar, para um dia ter em seu nome um pedacinho de terra que possa garantir o sustento da família ou quem sabe, mais um meio de ganhar algum dinheiro, com a venda, para dar inicio uma outra vida, sonhada e distante, até  então impossível.
         A mobília transportada denuncia uma vida miserável, talvez um fogão velho que receberam de outra família que pode comprar um novo, uma mesa feita daquela porta velha, que o vizinho descartou da sala que foi ampliada e reformada.Uma cama comprada no ferro velho da esquina, e que precisou ser soldada para aguentar a esposa, marido e dois filhos pequenos. O tamborete, que ganharam do dono do bar, que foi embora para a sua terra e não teve como levar. Aquela panela de alumínio que receberam da dona do hotel onde costumavam receber aquela comidinha, depois da refeição noturna servida aos hospedes.
        As crianças acordaram em meio a escuridão e a mais velha pergunta se já chegaram. O pai esperançoso responde com euforia, sim filha, já chegamos, amanhã deve ter alguém para nos receber, pois hoje vamos passar de qualquer jeito. Durante toda a noite, continua sem silencio, pois as muriçocas estão soltas e não deixam as pessoas em sossego. Muita conversa muitos cumprimentos,em volta de uma grande fogueira que fizeram de alguns paus que conseguiram juntar. Alguém se declarou com muita fome, e outra pessoa conseguiu algo para matar a fome. As crianças estranhando o local, muitas não conseguiram dormir.
           A noite entrou madrugada adentro em um clima de muita esperança.
       Quando amanheceu o dia, alguns já tinham conseguido armar uma pequena tenda, outros com sono, finalmente estavam dormindo após as muriçocas terem diminuído.  Alguém com uma garrafa de café distribuía entre os presentes, o precioso líquido escuro. Uma senhora de idade avançada,  reclamava do local, e dizia que deveria ter ficado com o enteado, enquanto às coisas se arrumavam, pois não estava se sentindo muito bem.
         Por volta das 10:00 horas, chega uma pessoa com uma feira e distribuiu com os presentes, de acorde com a necessidade de cada uma, pois era para uma duração de dez dias. Em sua volta estavam aquelas mais de 120 famílias, com um questionário que não tinha fim. Com o som de um apito ele pede silencio e diz que na manhã do dia seguinte estaria no quase acampamento,  um representante de uma ONG que tinha enviado os alimentos para fazer um cadastro e responder as perguntas formuladas.      
          No momento prometido chega o representante e em reunião, entra em diversas discussões. Alguém se declara decepcionado com o quadro desolado que encontrou, pois,saiu das terras que foram vendidas, onde construiu sua casinha e de lá só conseguiu trazer a sua cachorrinha piaba e a sua esposa, com a qual casou-se há dois meses. Outro olhava para as terras e já sonhava com uma roça de feijão e de milho, para finalmente poder encher seu prato, que sempre estava vazio. Outro se prontificava a ser representante do grupo, pois orgulhosamente se declarava ter concluído o primeiro grau e tinha habilidades para a matemática, dizendo possuir uma máquina de fazer contas e que certamente poderia ajudar. 
            
          Esta é uma cena fictícia, mas com certeza já aconteceu em algum acampamento do movimento dos sem terras. 


Ronielly Felix / Ma. do Rosário Lustosa